Movimento Pendular ou Imigração diária

A mobilidade pendular na Cidade

A cidade São Paulo tornou-se uma manifestação no processo de metropolização, com crescimento de algumas cidades e ao mesmo tempo, um profundo processo de perifização. Esse processo se deu, em parte, pela expulsão da população de mais baixos rendimentos para área mais distantes, onde o valor do solo urbano é menor. Por outro lado, São Paulo permaneceu como principal local de destino dos seus ex-residentes que para ai continuam se deslocando para trabalhar.

A mobilidade pendular depende não apenas de características sócio econômicas dos municípios de residência, mas também da distância dos municípios de residência até a capital. Esse movimento, de modo geral, está menos presente em municípios agrícolas e industrializados, enquanto que nos caracterizados como periféricos ou dormitórios os índices são elevados.

Os deslocamentos diários das populações ocorrem em variadas direções e são orientados por diversos motivos: trabalho, estudo, consumo, lazer, saúde, negócios. Esses deslocamentos constituem elementos integrantes da realidade das grandes cidades e reflete suas desigualdades sociais e espaciais. Sua análise permite a oportunidade de observação dos obstáculos existentes nas cidades.

É possível analisar os deslocamentos na RMSP por meio dos trajetos (fluxos) que apontam simultaneamente os deslocamentos estabelecidos entre os municípios de residência (origem) dos indivíduos e o os municípios de trabalho ou estudo (destino). No total, foram detectados mais de 731 trajetos com origens e destinos nos municípios da RMSP e que estão majoritariamente direcionados para determinados municípios em detrimento de outros. Os mapeamentos desses trajetos mostram o grau de relacionamento existentes nos municípios e indica a relevância de dinâmicas localizadas em subáreas que coexistem com a mobilidade metropolitana centralizada no Município de São Paulo. São Paulo exerce uma “hegemonia” nos deslocamentos pendulares, uma vez que atrai mais da metade dos deslocamentos metropolitanos.

O Mapa destaca os deslocamentos em direção a São Paulo e indica que esse município constitui-se como área de destino para grande parcela de residentes de todos os outros da RMSP. Francisco Morato é um desses municípios.

Fonte: Fundação Seade; IBGE. Censo Demográfico 2000.

Destaca-se os deslocamentos em direção a São Paulo e indica que esse município constitui-se como área de destino para grande parcela de residentes de todos os outros da RMSP. São 38 trajetos com classes e volumes diferentes e com o mesmo sentido que conecta e inter-relaciona São Paulo com toda a área metropolitana.

Nesse mapa Francisco Morato apresenta trajeto acima de 20 mil indivíduos. Os municípios que destinam população para São Paulo apresentam características geográficas e de acessibilidade semelhantes, pois ou são circunvizinhos ou estão interligados por importantes sistemas de transporte públicos, como é o caso da companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), como no caso da Cidade De Francisco Morato.

Os trajetos revelam que a Metrópole de São Paulo exerce uma importante centralidade, processo esse que se traduz não apenas do ponto de vista de oferta de emprego, da disponibilidade de serviços na área da educação, equipamentos e instituições de estudos, mas também com o fato do município estar interligado por um importante sistema viário e de ferrovia orientado para praticamente todas as direções da área metropolitana.

A ferrovia Santos-Jundiaí garante a Francisco Morato, desde sua urbanização a mobilidade e a acessibilidade das pessoas, trabalhadores e estudantes para o Grande Centro. Essas pessoas são aquelas que possuem menor poder de renda e por isso procuram áreas mais baratas para residir, procurando manter seus empregos e continuidade de estudo, no caso de estudantes universitários.

“Como era de se esperar, a renda é novamente um fator fortemente diferenciador, com o aumento da proporção das viagens longas conforme diminui a renda familiar” (DEÁK, 1990)

A Ferrovia contribui para a cidade proporcione a pendularidade metropolitana, de modo que pessoas que trabalham ou estudam transformam a grande são Paulo em um receptor diário. A proporção de saída de população que trabalha em outras localidades da metrópole é bastante elevada.

Entretanto, observa-se também que os municípios chamados “dormitórios” não são apenas áreas de saída de residentes para outros municípios. Caracterizam-se também como áreas de chegada de população ocupada o que parece ser bastante significativo para o entendimento da complexidade dos processos metropolitanos de ir-e-vir. Em Francisco Morato, 5,9% dos ocupados que aí trabalham residem em outros municípios.